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jueves, 7 de mayo de 2026

 Soraya Sarquis, es de México, escribe en este libro el proceso de enfermedad de su mamá, fue su cuidadora principal en este proceso que empezó  en 2021. Dedica este libro a su madre, que le pidió que su historia fuera compartida de forma que ayudará a las personas a no tener tanto miedo a una enfermedad que pone en riesgo su vida. Soraya escribe con el objetivo de mostrar que ni todo es malo y que si se abre la mente y el corazón se descubre muchas lecciones de vida invaluables, mientras apoyas a un familiar enfermo. 

 

Capitulo 01. La llamada. Una noticia que cambiaría mi vida por completo.  

Soraya describe el cómo fue recibir una llamada de su hermana, en la cual le dijo que agarrará el primer vuelvo para Monterrey, pues de acuerdo con los doctores su mamá está muy frágil y no pasa del otro día. Esta llamada la dejo desorientada, no sabía lo que hacer, como conseguir el pasaje, pues no tenía dinero suficiente para pagarlo. Recibe la ayuda de una amiga y relata que su amiga fue su primer ángel que el universo le regalo para poder recorrer este camino. Esta amiga le enseño la solidaridad de una amistad. Soraya tuvo otro obstáculo antes de ir a Monterrey, el hecho de tener que dejar sus hijas, algo que nunca había hecho, tenía sentimientos desencontrados, quería estar con su mamá y a la vez era terrible dejar sus hijas chiquitas, no podía contar con el apoyo de su marido, se sentía sola para solucionar este tema. En este momento surgió otro ángel. Fue Miss Rosy, ella cuido de las hijas de Soraya y así pudo viajar de Cancún a Monterrey. Cuando llega allí va directo al hospital a ver su madre. Su mamá había pasado por una intervención y estaba en el cuarto, para su sorpresa su madre se encontraba bien, mejor de lo que esperaba, la veía fuerte, despierta y con vitalidadHablo con el médico que le explico que todavía no tenía un diagnóstico, que estaban realizando estudios para saber lo que pasaba. Soraya y sus hermanos se reunieron y frente a este panorama decidieron llevar su madre a la ciudad de México. En este momento Soraya decide mudarse de Cancún a la ciudad de México para poder acompañar de cerca a la mujer, que segundo ella, fue la que dio tanto, este era el momento de retribuir todo lo que su mamá había hecho por ella. Este fue el principio de los cuatro años que Soraya, sus hijas y su madre vivieron juntas el desarrollo de la enfermedad y como escribe ella - “etapas duras, pero muy felices, llenas de aprendizajes y amor.  

 

El tema del cuidador familiar o principal en la psicología:  

De acuerdo con la literatura y basándome en mi experiencia profesional ser el cuidador familiar o principal es una experiencia que tiene muchas demandas, enfrentando no apenas las instancias del papel del cuidado, pero también lidiar con sus miedos, inquietudes y aspectos negativos del cuidado.  

¿Qué nos trae este primer capítulo?  

  1. a) Nos trae el impacto del primer contacto con la enfermedad, a incertidumbre de no saber lo que es, de lo que está pasando y qué hacer. 

  1. b) Dejar sus cosas para poder cuidar de quien amamos. 

  1. c) La necesidad de la ayuda de la red de apoyo (amigos, familiares) y profesionales de la salud mental en la falta de la red de apoyo, para poder recorrer este camino del cuidadodisminuyendo la probabilidad de la sobrecarga del cuidador.  

 

 

jueves, 23 de abril de 2026

Retomo el camino de escribir sobre lo que importa.

 

¿Cómo están? Espero que estén bien. Después de un tiempo de pausa, vuelvo a este espacio con la misma convicción de siempre: detenernos a pensar lo que realmente importa en psicología. Temas que he seguido durante mucho tiempo, como: duelo en todas sus formas, los cuidados paliativos, el rol del cuidador principal de pacientes con diagnósticos que ponen en peligro su vida, la ansiedad, la depresión, entre otros.   Retomar este camino es, para mí, una forma de volver a la conversación, a la reflexión y a la práctica que da sentido a nuestro trabajo clínico. 
Es una alegría regresar, compartir la profesión que amo, quién soy y poder ayudar, aunque sea indirectamente. 
En esta vuelta los textos serán escritos solamente en español, después de once años viviendo  en Montevideo amerita hacerlo. Acordándose que hay la posibilidad de realizar la traducción automática. Bueno, antes de dejarlos quiero decir que estoy abierta a sugestiones de temas y criticas constructivas que puedan ayudar no solo a mi como a todos que por aquí pasan. un abrazo apretado.  Para la semana que viene hay texto nuevo. 

viernes, 24 de febrero de 2017

Este é um livro magnifico que quero compartilhar.
O Amor é o Caminho (Maneiras de Cuidar), escrito por Maria Júlia Paes da Silva (Possui graduação em Bacharel em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP (1979), assim como mestrado, doutorado e livre docência pela Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP. Atualmente é professor titular aposentada pela Universidade de São Paulo.). São histórias vividas pela autora, aprendizados do dia-a-dia no hospital. Amor, Carinho, Atenção e Respeito. 

“O Verbo cuidar deve transcender seu significado etimológico e representar muito mais do que, simplesmente, tocar ou fazer um curativo...Cuidar é,  na verdade, espargir amor, esbanjar carinho e felicidade a quem precisa”.  (disseres da autora). Vou compartilhar parte do livro, recortes de alguns capítulos para dar água na boca e adquiri-lo na integra. 


O Sonho:

O Sonho de Julia é humanizar hospitais e ela pergunta. Qual é o seu?

Fala da importância de sonhar grande, pois: 
         “Quem sonha pequeno promove pequenas transformações; quem sonha grande tem prazer na caminhada. O dia-a-dia deixa de ser rotina para se converter em experiência/pegadas em direção ao sonho maior. Ninguém diz que é fácil, mas persistimos porque temos fé no sonho e, como você sabe, quem tem fé ...voa”. 

Lidando com a Onipotência: 

Dividi conosco o desafio de se trabalhar com a morte. O quanto se leva tempo para entender que a função é cuidar. Ela diz:
 “Demorei muito a entender que a nossa função é cuidar. Eu morria de vontade de curar”.
           Fala da alta administração de medicações analgésicas para pacientes terminais, usadas talvez devido a ansiedade da equipe por ter que enfrentar  perguntas e olhares repletos de indagações. 

Desmascarando a Rotina:

         Descreve sobre como muitas vezes deixamos de prestar atenção as coisas simples da vida.
          Viu pacientes com enorme sorriso nos lábios quando deixavam a água correr  no corpo durante o banho, pois ficaram muito tempo na cama. 
          Pacientes  valorizarem a falta de dor na garganta ao tomar um copo de água, depois de deixarem a sonda gástrica.  Diz: 
         “As dificuldades continuam durante a vida. O que muda é a nossa relação com elas. Podemos enxergar melhor, crer numa sabedoria maior. Aprendemos a apreciar o presente e os presentes do dia-a-dia. Podemos adquirir a capacidade de transformar problemas em lições e lições em sabedoria”. 

Onde você descarrega:  

 “Onde você descarrega as tensões?...O Seu é um bom lugar para descarregar?”
   Conta de quando trabalhava em psiquiatria e um dos pacientes internado por surto psicótico a seguia pela unidade toda. Depois de uns dois ou três dias ele pergunta para ela. “Você é muito nervosa em casa?” Ela responde que não. Ele continua olhando e pergunta: “Então onde você descarrega?”

O Sentido do que se faz: Faça da sua vida uma obra de arte.

          Relata que quando é convidada para falar sobre relacionamento humano, gosta de mostrar o quadro de Gustav Klint (Teatro de Taormina), pois este quadro trás riquezas de detalhes: paredes de mármore trabalhadas com figuras de anjos e rostos, tapetes ricamente bordados, arbustos floridos. Parecia não ter pressa.   

Ponto Final: Lembre de seu Grande Sonho

“O Denominador comum de toda cura é Deus. E, sendo Deus e amor a mesma coisa, o denominador comum das curas é o amor”.
        Como você descreveria sua vida a partir do ponto de vista atual?
     Foi uma boa Vida?
      Qual foi a melhor coisa que você já fez?
      Se uma criança que você ama muito lhe pedisse para contar uma coisa importante que aprendeu com a vida, o que você lhe contaria?




Recortes do artigo: Despedida silenciada: equipe médica, família, paciente – cúmplices da conspiração do silêncio

Em 2014 publiquei na Revista da Puc São Paulo, um artigo que descreve a conspiração do silêncio, descrito como um acordo implícito ou explicito, por parte dos familiares, amigos e profissionais, de alterar a informação ao paciente com a finalidade de ocultar o diagnóstico ou a gravidade da situação. A família é considera um elemento importante na fase final de vida de seu ente querido, cuidá-lo e diminuir seu sofrimento é visto como um de seus deveres. A pesquisa realizada por Volles, Bussoletto & Rodacoski (2012), confirma esta necessidade de proteção. Esse tema se torna importante perante a incidência, ainda alta na atualidade, e as consequências geradas por tal pacto. Estudos de López et al. (2012) e Cordobés, Albacar, Sánchez & Martín (2012), descrevem que tal situação impede a despedida dos envolvidos. Os pacientes se sentem isolados, incompreendidos, enganados, influenciando seus níveis de ansiedade e depressão e se encontram impossibilitados de encerrarem assuntos importantes; a família, diante do pacto, tem dificuldades no enfrentamento e elaboração do luto. Vou postar no blog, recorte deste artigo, o completo esta em: Psicologia Revista. Revista da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde. ISSN 1413-4063, [S.l.], v. 23, n. 2, p. 261-272, abr. 2015. ISSN 1413-4063. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/psicorevista/article/view/22771/16503.


Despedida silenciada: equipe médica, família, paciente – cúmplices da conspiração do silêncio


Quando tudo começa:

A família é considera um elemento importante na fase final de vida de seu ente querido, cuidá-lo e diminuir seu sofrimento é visto como um de seus deveres; para algumas famílias, é emocionalmente difícil expressar tristeza, desespero e raiva, pois a expressão em si pode ser perturbadora. A pesquisa realizada por Volles, Bussoletto & Rodacoski (2012), confirma esta necessidade de proteção e indica que pode estar relacionada à realidade pré-estabelecida da estrutura familiar, onde por meio da não comunicação e expressão de seus sentimentos encontram a forma de evitar mais sofrimento; neste mesmo estudo, se observou que o silêncio estabelecido entre família e paciente vem acompanhado de dor, angustias e medos, o que faz que esta relação fique prejudicada. Outros estudos como de Ruiz-Benítez & Coca (2008) e Chaturvedi, et al. (2009), indicam que a incapacidade de se comunicar pode estar também relacionada à crença da família em que a verdade vai ter repercussões negativas, como depressão, ansiedade, perda de interesse pela vida e sofrimento desnecessários para o paciente; estes estudos mostram também outro fator como dificultador na comunicação, a forma de como a família percebe sua capacidade para falar sobre a morte e o morrer, quanto mais insegura se sente e quanto maior seu medo, maior será a evitação sobre o tema. Diante destas dificuldades e com o objetivo de se evitar mais dor, algumas famílias solicitam ao médico que não forneça ao paciente toda a informação sobre seu diagnóstico e prognóstico; o médico, por sua vez, entende que o que os familiares pedem pode ser correto e que a divulgação do prognóstico realista pode diminuir a esperança do paciente, como observado nos estudos de Reinke, Shannon, Engelberg, Young & Curtis (2010), López, et al. (2012) e Slort, et al. O pacto ou a conspiração do silêncio é descrita (Chaturvedi et al. 2009; Bermejo, et al. 2012), como um acordo implícito ou explicito, por parte dos familiares, amigos e profissionais de alterar a informação que é passada ao paciente com a finalidade de ocultar o diagnóstico ou a gravidade da situação. Psic. Rev. São Paulo, volume 23, n.2, 261-272, 2014 Despedida silenciada: equipe médica, família, paciente ... 265 A conspiração do silêncio pode ser parcial ou completa, como referido por Bermejo et al. (2012), na parcial o paciente sabe seu diagnóstico, mas não sabe seu prognóstico e a completa o paciente não sabe nem o diagnóstico, nem o prognóstico; estes mesmos autores descrevem em seu estudo a conspiração do silêncio de acordo sua causa, podendo ser adaptativa ou desadaptativa. Na conspiração do silêncio adaptativa, o paciente não fala, nega o que está acontecendo parecendo que não quer saber, é vista como um mecanismo de proteção, tendo como base a necessidade do paciente processar o que está passando, necessitando de tempo para entender. Na conspiração do silêncio desadaptativa o paciente quer saber, pergunta de forma direta ou indireta, mas familiares ou médicos não dizem.

 Consequências da conspiração do silêncio:

 Na comunicação limitada, o não ter certeza do que está acontecendo, traz consequências para o paciente e a família vistas como fatores que dificultam abordar temas importantes em final de vida que necessitariam ser tratados para uma despedida menos dolorosa. Chaturvedi, et al. (2009), em seu estudo, revela que familiares que pactuaram com a conspiração do silêncio, após a morte do ente querido, sentiram que faltou honestidade de sua parte para com o paciente, esta sensação dificulta o luto pós-morte dos familiares. O paciente, por sua vez, imagina o que está acontecendo, pergunta, mas não obtém respostas para sua suspeita, sentindo-se isolado, aumentando os sentimentos de fragilidade, perdas, sentem-se enganados e têm dificuldade na adaptação à doença como demonstrado por Takieldin & de los Ángeles (2010). Essas reações impedem a ambos, família e paciente, a possibilidade da despedida, das reconciliações, que talvez fossem necessárias, das lembranças da vida vivida que os ajudariam a fortalecer os laços de amor e os fariam fortes. Ayarra & Lizarraga (2009), em seus estudos de como dar más notícias, trazem para reflexão motivos para se dar a informação completa ao paciente e família, por exemplo, poder tomar decisões a respeito de Psic. Rev. São Paulo, volume 23, n.2, 261-272, 2014 266 Maria Inês Fernandez Rodriguez tratamentos ou temas familiares e poderem ter a possibilidade de dividir o sofrimento do período, assim como viver o processo de forma significativa, ações que são impossíveis quando há o pacto do silêncio.

CONCLUSÃO:

 Tratar de temas de fim de vida é difícil para todos os envolvidos, é na possibilidade da morte do outro que se percebe nossa finitude. Cada qual tem suas crenças e seus medos. O processo de fim de vida é um período difícil, no qual é necessário lidar com novas informações a todo o tempo, lidar com perdas, passar por ele em silêncio o torna ainda pior. Para que os canais de comunicação estejam abertos e família e paciente possam se expressar, é necessário por parte da equipe médica aperfeiçoar a comunicação de más noticias e estarem preparados para lidar com as demandas que surgem em tal período, respeitando as necessidades dos pacientes e da família e proporcionando- -lhes amparo para a despedida inevitável.

viernes, 10 de febrero de 2012


Em 2011 realizei um curso de Psicologia em Cuidados Paliativos na Casa do Cuidar  - Práticas e Ensino em Cuidados Paliativos. Para a conclusão do curso fiz o artigo com o título: Cuidados Paliativos como facilitador no Processo de Morrer em Paciente Oncológico que foi públicado hoje. Espero que gostem. 


Bjos a Todos Ines 

Cuidados Paliativos como facilitador no Processo de Morrer em Paciente Oncológico.







Introdução:
São tantas as coisas que nos assustam na vida, mas a morte talvez seja a mais temida.  Aprendemos a estar próximos de quem nos ama, a conquistar sonhos, desejar, queremos melhorar, porém em nenhum momento nos ensinam a perder pessoas que são significativas  ou a “viver” a nossa morte. Não há escolas, faculdades ou cursos de longa distância onde nos ensinam sobre como passar pela morte. Este aprendizado vem no viver a vida. O diagnóstico de uma doença que nos ameace a continuidade da vida, como o Câncer, nos assusta. O paciente e a família ficam em alguns casos sem “chão”, no primeiro momento ficam entorpecidos, em dúvida: “Será verdade?”. Vai-se atrás de outros especialistas: “Quem sabe este médico não conhece bem sobre o assunto”. Mas o diagnóstico é confirmado, e não é apenas o corpo que ficou doente, a pessoa e suas dimensões (psíquica, familiar, social e espiritual) também estão doentes, também estão sem “chão”. Faz-se necessário a ajuda não apenas do médico especialista, mas de uma equipe, que vise não apenas o objetivo de curar, mas o de cuidar de todas estas dimensões, das pessoas que sofrem.  Entra aqui os Cuidados Paliativos.
 Pela definição da Organização Mundial de Saúde, em 2002, Cuidados Paliativos são:
“Cuidado Paliativo é a abordagem que promove qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através de prevenção e alivio de sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual.”  (Cremesp C.P. 2008, p.16).

Uma das filosofias dos cuidados paliativos é oferecer um sistema de apoio para ajudar tanto os pacientes quanto a família a lidar com a doença e com o luto. Este artigo tem como finalidade mostrar este sistema de apoio à pacientes oncológicos e seus familiares, explanar como funcionam os cuidados paliativos, discorrer sobre o morrer e seu processo e por fim abordar o luto antecipatório que familiares e pacientes passam, na tentativa de tornar mais reconhecido este trabalho e não deixar que pacientes e familiares passem pelo processo do morrer sozinhos por não saberem que podem pedir ajudar ou que podem contar com uma equipe de cuidados paliativos.

  
Cuidados Paliativos:

Os Cuidados Paliativos visam mais do que a cura o cuidar. É um cuidar realizado em equipe para poder abranger todas as dimensões do paciente e sua família. O foco não é a doença do paciente, mas o paciente com a doença e suas necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais.
As intervenções são realizadas com estes objetivos no decorrer de todo o processo, do diagnóstico ao morrer.

 A História dos Cuidados Paliativos: Quando Tudo Começou:

Na Idade Média haviam hospedarias que ofereciam descanso e cuidados a seus viajantes. Na primeira metade do século XX, algumas dessas hospedarias apareceram na França, Irlanda e Inglaterra, mas não mais para viajantes, agora eram usadas para pacientes terminais. Desde o fim de 1960, inspirados no exemplo do St. Christopher´s Hospice (Hospedaria criada por Cicely Saunders, em 1960) em Londres na Inglaterra, muitas outras hospedarias surgiram no Reino Unido e na América do Norte.
Quando Cicely Saunders descreveu o sofrimento dos pacientes terminais identificou quatro elementos que compõem o que ela denomina “dor total”, ou seja: dor física, psicológica, social e espiritual. Descrevendo assim a filosofia do cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, alívio da dor e do sofrimento psicológico. Esta filosofia é conhecida desde então como Cuidados Paliativos ou filosofia do Hospice.

Instrumentos dos Cuidados Paliativos:

Um dos instrumentos mais valiosos dos cuidados paliativos é o controle de sintomas. Para que este controle seja realizado e envolva um cuidado integral são necessárias as estratégias de: avaliação, manejo terapêutico e atenção aos detalhes.
A avaliação consiste em investigar qual a causa mais provável do sintoma, qual o impacto do sintoma na vida do paciente, qual o tratamento utilizado e que resposta este tratamento teve. É importante também a comunicação de diagnóstico e tratamento de forma simples e clara para que paciente e família possam entendê-los e participar de sua aceitação ou rejeição.
O manejo terapêutico diz respeito a três aspectos. Corrigir o corrigível, por exemplo, realizar uma punsão quando ocorre um derrame pleural para aliviar a falta de ar. Nesta ação o objetivo não é a cura, mas o alívio da falta de ar. Tratamento não farmacológico é o segundo aspecto, por exemplo, em caso de dor pode se utilizar da acupuntura como auxiliar para alivio desta e aliviando a dor o paciente se sentirá amparado e cuidado. No terceiro aspecto o tratamento farmacológico, realizando monitoramento para rever a eficácia do tratamento, surgimento de novos sintomas e detectar efeitos colaterais.

A última estratégia de controle de sintomas diz respeito à atenção aos detalhes, saber ouvir o paciente e suas queixas e examinar com cuidado para não apenas presumir e poder identificar os sintomas que causam desconforto ao paciente.
As várias especialidades e possibilidades de intervenção clínica e terapêutica nas diversas áreas do conhecimento é outro instrumento que os cuidados paliativos possuem. Assegurando ao paciente e a família (unidade de cuidado) um melhor cuidado, um olhar para os problemas não apenas sobre um ponto de vista, mas sobre todas as dimensões. É trabalhar junto com papéis diferentes num mesmo objetivo, oferecendo amparo em todo o processo da doença e no processo do luto.

De quem se cuida?

No final do século passado o Relatório Hastings (do Centro Hastings- Instituto de Pesquisa em Bioética) apresenta o modelo de saúde para séc. XXI.
 “Os doentes apresentam seu mal estar ao médico como pessoa, isto é o que experimentam subjetivamente e o que normalmente os motiva a buscar alivio. Se apresentam a si mesmos como indivíduos, e são precisamente esses indivíduos os que devem constituir o ponto de partida da cura e dos cuidados”.

Este modelo de saúde vem de encontro com a filosofia dos cuidados paliativos, onde o paciente é mais importante que a doença, o foco são as pessoas que sofrem, e estas são singulares, fruto de sua história única e irrepetível de interações. Interações (família, cuidador principal e amigos) que também adoecem e necessitam ser cuidadas e olhadas. O paciente esta em sofrimento e acredita muitas vezes que não vai conseguir dar conta e neste momento é importante a intervenção que vai além da medicação, é importante a habilidade de estar presente em tempos de desespero, raiva, alegria e tristeza, utilizando-se da empatia, escuta ativa, habilidade de comunicação e validação da biografia de cada pessoa aliviando assim o sofrimento.

Paes da Silva (2006) fala da importância de se estar com o paciente em todos os momentos.
“Morrer pode durar horas, minutos, meses, e nossa contribuição não pode se ver enfraquecida durante todo o tempo de que o paciente precisa para poder partir” ( 2009, p.62).

É necessário ser sensível as necessidades do paciente, estar disponível para dar proteção se ela for necessária. Aceitar a responsabilidade e dispor de tempo e esforço necessário para prover apoio efetivo à unidade de cuidado, não importando quanto tempo leve.

Câncer e Psico-oncologia:

O Câncer compreende mais de 200 tipos de doenças, um grupo heterogêneo de moléstias que se diferem quanto a etiologia, freqüência e manifestações clinicas, a característica mais comum são as alterações nos processos de divisão das células do corpo, proporcionando um crescimento anormal e mais rápido de um conjunto de célula, denominado de tumor.
As células tumorais podem atingir outros órgãos, dando origem as metástases, estas quando chegam a órgãos como fígado, cérebro e pulmão causam falência orgânica e o óbito.
O câncer é ainda hoje uma doença que traz medo e sofrimento, com a finalidade de auxiliar o processo de enfrentamento e apoiar paciente e família em situações de estresse gerado pelo câncer surgiu a psico-oncologia. Segundo Gimenes (1994), a psico-oncologia surgiu como área de conhecimento a partir da década de 50, quando a comunidade científica passou a reconhecer que tanto o aparecimento quanto a manutenção e a remissão do câncer, poderiam ser intermediados por fatores cuja natureza extrapolavam condições biomédicas.
Nos últimos anos é considerada uma parte importante no cuidado com pacientes e familiares, promovendo condições de qualidade de vida e oferecendo espaço onde paciente e familiares possam expressar seus sentimentos e tendo como objetivos identificar o papel de fatores psicológicos e sociais, no aparecimento, desenvolvimento, tratamento e reabilitação do paciente com câncer e utilizar de conhecimentos que possam permitir a assistência integral do paciente com câncer e de sua família, bem como a Formação de profissionais de saúde especializados com o seu tratamento (Gimenes, 1994).

Processo do Morrer:

Ao pensar na morte surgi vários sentimentos e um deles é de medo. O medo do desconhecido, do que será que esta por vir e como vamos morrer. Se estaremos só ou acompanhados de quem amamos, mas há também o medo de sofrer, da dor, da falta de ar. Os cuidados paliativos visam este processo, sua filosofia entende a importância de acompanhar paciente e família, para os cuidados paliativos falar de morte é falar de vida. É o cuidado aos detalhes, estar atento ao sofrimento que vai além do físico.

Kovács (2003) fala em processo de rehumanização do processo de morte, traz a importância de se acompanhar o paciente em seu processo de doença, tendo um olhar mais cuidadoso nos sintomas e no sofrimento na esfera psicossocial e espiritual, não prolongando o sofrimento com medidas que visam apenas preservar a vida e adiar a mote.

É importante para alguns pacientes em final de vida compartilhar seus sentimentos e anseios com entes queridos e amados, a equipe de cuidado pode auxiliar nesta fase, e ajudar a estreitar laços familiares e com pessoas significativas, estimulando conversas francas e reconciliadoras, onde paciente e família podem expressar seus sentimentos sem anseios. E mesmo quando já não há mais possibilidades em verbalizar estes anseios por conta da condição física do paciente, a comunicação não verbal passa a ser a ferramenta mais importante de cuidado. Familiares e equipe passam a utilizar do toque, de gestos de carinho, e de sua presença, com estas atitudes o paciente não se sente abandonado e sim cuidado, olhado, e fica em paz, pois o medo de morrer só é amenizado.

Kubler-Ross em seu livro “Sobre a Morte e Morrer” (1969) descreveu estágios que observou  em  pacientes em final de vida.

O primeiro estágio o choque e a negação, depois a raiva e o rancor, negociação com Deus, depressão, e por último a aceitação.

A negação é a surpresa, a idéia de estar doente parece não ser real, o paciente nega o diagnóstico e pode chegar a consultar outros médicos para que desconfirmem o primeiro diagnóstico. Ao se confirmar o diagnóstico a resposta é a revolta e a raiva, a pergunta passa a ser “por que não com ele, sou honesto, bom”, ficam bravos com Deus, com a família e por que não com o mundo, dando vazão a seus sentimentos, mágoa e dores, começa a negociação com Deus, fazem promessas e já não estão tão hostis. Muitas coisas mudaram o diagnóstico já foi confirmado, surgem limitações e a depressão vem como resposta a estes fatos. Quando o paciente consegue nesses estágios expressar sua dor, raiva, medos e angustia chega o estágio da aceitação, neste não se sente mais depressão ou raiva, ficam a maior parte do tempo em silêncio, pensando em suas vidas e trocam a luta anterior pelo sono.

Cada estágio descrito por Kubler- Rosso é importante como referência histórica, pois como profissionais da saúde este conhecimento nos lembram de estar mais próximo do paciente e entende-lo melhor,  saber que há a necessidade do olhar e do amparo da equipe e nos ajudam a entender a necessidade de oferecer espaço para que paciente e família possam  expressar o que vai em seu coração, os medos que rodeiam sua mente e assim poderem se sentir amparados.

É pessoal o como se deseja morrer, ,mas para os cuidados paliativos é importante que se tenha aspectos como a consciência de sua aproximação, utilizando para isto da comunicação clara e simples da equipe de saúde, esta dá ao paciente a opção de fazer escolhas como, por exemplo, o local da morte, mantendo sua dignidade. É nesta ação que podemos e que se trabalha o luto e o luto antecipatório.

Luto:

É um processo, uma experiência pública e privada. Há o pesar que são os pensamentos e sentimentos sobre a perda, e o luto que é a expressão destes sentimentos e pensamentos com aqueles que nos rodeiam. O luto é um conjunto de reações a uma perda significativa, geralmente pela morte de outro ser. Segundo Bowlby quanto maior o apego ao objeto perdido (que pode ser uma pessoa, animal, fase da vida, status social..) maior o sofrimento do luto. O luto tem diferentes formas de expressão em culturas distintas.
Na família o luto é uma vivência complexa. O luto na família é considerado um problema quando os papéis são ignorados, as decisões são colocadas em espera, e os membros da família são ignorados ou cortados e sentimentos de ambivalência surgem sem acolhimento impedindo o processo de elaboração do luto. A adaptação a perda pode ser facilitada quando há coesão da família, tolerância e o respeito às diferentes respostas entre os membros da família. A comunicação aberta é muito importante, a falta desta e o surgimento de segredos e tabus em torno da perda interferem ainda mais no processo do luto.     
Na família o luto é ao mesmo tempo singular e grupal. Cada membro da família é afetado de uma maneira. Cada família tem suas regras, seus padrões de comunicação e comportamento. A equipe de cuidados paliativos deve estar atenta e oferecer o apoio necessário a cada membro da família e em sua singularidade.
O processo de luto antecipatório se inicia quando é revelado ao paciente e seus familiares que já não há possibilidades terapêuticas em relação à doença.

 Fonseca (2004) definiu luto antecipatório como: 

“Reação de pesar genuína em pessoas que não estão enlutadas pela morte em si, mas pela experiência de uma separação onde há a ameaça da morte. É na terminalidade, relacionado a um prognóstico fechado. Sua função é propiciar um desenvolvimento normal do luto, não eliminando o impacto causado pela morte”.
É nesta fase que paciente e familiares podem encontrar espaço para “acertar os ponteiros”, cada qual pode falar de suas necessidades e vontades. A equipe de Cuidados Paliativos ajuda a proporcionar este espaço.

No luto antecipatório se vivencia processos cognitivos, emocionais e comportamentais, não é a substituição do Luto pós – morte, pois não há como estar totalmente preparado para a morte de alguém que lhe é tão querido, mas pode ser considerado o inicio da elaboração de uma nova fase da vida já sem o ente querido.

Considerações Finais:

Receber o diagnóstico de câncer ainda hoje causa medo e insegurança, seu tratamento é invasivo, muitas vezes longo e não apenas o paciente adoece, mas também a família.
Paciente e família necessitam ser cuidados e amparados, cada qual em sua dor. Os Cuidados Paliativos vem com esta filosofia, oferecer um sistema de apoio para ajudar paciente e família a lidar com a doença. Onde o foco é o paciente e suas necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais, toda equipe atenta a detalhes, ouvindo com calma paciente e família, estando presente a toda hora, em tempos de desespero, raiva, alegria e tristeza, utilizando da empatia, escuta ativa, habilidade de comunicação e validando a biografia de cada pessoa.
No processo do morrer é importante uma comunicação clara, a equipe de cuidados paliativos oferece esta comunicação, fala de morte, pois é falar da vida também, ajuda os pacientes a compartilharem seus sentimentos e anseios, oferece um espaço para família e paciente poderem ter conversas francas e reconciliadoras. Os amparando neste momento onde ambos vivem o luto antecipatório, inicio da elaboração de uma nova fase da vida.  
Por fim, ser cuidado pela equipe de Cuidados Paliativos é ser visto como um ser total em todas as suas dimensões é poder escolher aonde quer viver os últimos dias e como e com quem quer viver.

 Referências

Araújo, M. M. T. – A Comunicação no Processo de Morrer p.209 -221 – Cuidados Paliativos – Discutindo a Vida, a Morte e o Morre – Editor: Franklin Santana Santos – Ed. Atheneu – São Paulo – 2009.


Bayes, R. - Sobre La Felicidad y El Sufrimiento –.Discusrso de Investidura como Doctor “Honoris Causa” pela UNED de Madri-  Janeiro de 2009.
Calvalcante de Melo, A, G – Os Cuidados Paliativos no Brasil – p 291- 299 - Humanização e Cuidados Paliativos – São Paulo- 2004 - Ed. Loyola.
Costa Junior, A. L. & Coutinho, S. M. G - O câncer: algumas informações, crenças e atitudes – Disponível em: www.sbpo.org.br/_img/trabalhos/11/1.pdf - (Acesso em 11 de novembro de 2011).
Fonseca, J. P. (2004). Luto Antecipatório. São Paulo, Ed. Livro Pleno
Franco, M.H. – Formação e Rompimento de Vínculos – Cap. 01 – Porque estudar o Luto na Atualidade? – PP. 32 à 35 – Novas Vertentes para o Luto – ED. Summus -  São Paulo – 2010.
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Gimenes, M.G. (1994). Definião, foco de estudo e intervenão. Em M.M.J. Carvalho (Org.), Introduão à Psico-Oncologia. (pp. 35-56). Campinas: Psy II.
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